Vítima discreta

A Osman Lins.   A esta hora, o teu próprio carrasco estira os braços, olha a alvura do teto e se levanta. Como tu, lentamente o teu carrasco se vê no espelho, talvez numa saudade de ontem. Todo dia, isso. Como se estivéssemos condenados a inaugurar algo já muito velho e desgastado. A palavra novo … Continue lendo Vítima discreta

Anúncios

Rememorações terçadas

"Ninguém te conhece. Não. Porém eu te canto." (García Lorca, Federico. Alma ausente. 2001, p. 301) "Se me der vontade de ir embora, Vida adentro, mundo afora Meu amor, não vá chorar Ao ver que o cajueiro anda florando Saiba que estarei voltando, princesa do meu lugar (...) Não dances, não dances pelo caminho Ou não … Continue lendo Rememorações terçadas

Ouço, não tenho certeza

"Mas nós continuaremos, continuaremos sempre, porque aprendemos a sobreviver." (Fuentes, Carlos. A morte de Artemio Cruz) Outra vez, ao amigo Belchior, narrativa escrita um dia após o seu retorno. Ouço, não tenho certeza, ouço mulheres passando, velozes, em gritos e sonidos distantes de trem ou queda d'água em pote ressequido. Ouço e já lá se … Continue lendo Ouço, não tenho certeza

Antes que se possa dizer: Cansei, o etéreo me abrace

  Em memória de meu avô Geuid, dedico este conto à minha mãe, irmã, vó Hilda, minha tia Elde, aos meus tios Geuid, Duílio, Avelar e primos João, Mayra, Mariane, Matheus e ao que está a caminho. E, mesmo não fazendo parte da descendência do Seu Geuid e dona Hilda, dedico ao meu pai e … Continue lendo Antes que se possa dizer: Cansei, o etéreo me abrace

Lapidarium de uma vida que não foi

  "(...) Mas eu não era um futuro soldado..." (Kafka, Franz.  Carta a meu pai) À Amanda. Possivelmente, este relato poderia não ser exarado, talvez, dissera-me mesmo um amigo, não seja digno de nota. Insignificante, muitíssimo particular, repetido por entre as ruas desta cidade sem praças. É verdade, poucas são as estórias dignas de nota, … Continue lendo Lapidarium de uma vida que não foi

Cidade: Palavra Confusa

‘’A rua nasce, como o homem, do soluço, do espasmo. Há suor humano na argamassa do seu calçamento.’’ (João do Rio, A Alma Encantadora das Ruas) Enquanto observo as portas e janelas ogivais do Teatro 4 de setembro, sua voz estala em interrogação: – Escreves sobre o quê? Esta construção mantém a fachada original, edificada … Continue lendo Cidade: Palavra Confusa

O Rumor de Um Ausente

Ao meu avô Geuid. Cá, a mesma parede ferida por um prego. Um espelho retangular, o Charlie Chaplin ao centro, sustinha-se no prego deslembrado por vórtices e rodamoinhos. Argamassa, matéria bruta, cobre o rasgo. A parede, aplanada, alumbrando tonalidade distinta, outra – o buraco, apesar, diante dos meus olhos, próximo ao primeiro quarto, espaço da … Continue lendo O Rumor de Um Ausente