Em direção ao asfalto

(Cena do filme "3 macacos", Ceylan, N. B. Turquia: 2008) Ao cineasta turco, Nuri Bilge Ceylan. Pé ante pé, cessa no limiar do terraço. Retrocede alguns passos, aproximando o próprio corpo à parede. O que vê: uma mulher, os olhos serenos, prepara-se para saltar em direção ao asfalto. Ao todo, recorda, são vinte e sete … Continue lendo Em direção ao asfalto

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O homem gentil, meu assassino

Morri jovem, quarenta e um anos incompletos. Era um dia quente e o homem que me matou cedeu a mim o próprio guarda-sol. Naquele tempo - lembro do retrato - conservava uma doçura dessas de puxe do melado da cana. Uma ingenuidade que a todos surpreendia, seus olhos buscando aproximação qualquer entre o ano de … Continue lendo O homem gentil, meu assassino

São coisas da vida, dizem eles, dizemos nós

"(...) Os mortos se decompõem sob o relógio das cidades..." (García Lorca, Federico. Ode a Walt Whitman. 2001, p. 205) Não vai tempo largo e te tornam imbecil. Apenas por ter de atender a duas-três exigências e comprar pão, sempre um outro dia, tornam-te imbecil. E teus ombros descaem, pouco a pouco, em velocidade não … Continue lendo São coisas da vida, dizem eles, dizemos nós

Noites de incandescência artificial

Fogo-fátuo, sendo luz, não fulge em noites de incandescência artificial. Como teus olhos, que já não sei quais são. O rastro de teus pés movediços, tudo o que o tempo não apagou. Não absolutamente. Há marcações em terra sempre quente, indicando um ludíbrio, numa dessas dobras que se faz para lugar nenhum. Ou qualquer. Mas … Continue lendo Noites de incandescência artificial